Uma das promessas da evolução tecnológica é que, com a automação de atividades mecanizadas, sobraria tempo para nos dedicarmos a iniciativas de maior valor. Assim nos desenvolveríamos individualmente de forma muito mais acelerada e rica.
Será?
Um exercício breve: você se recorda dos números telefônicos como no passado? Particularmente, eu não me lembro dos números das minhas filhas. Sem o registro das informações no celular, estou perdido.
E os trajetos no trânsito? Conhecia muito os caminhos em São Paulo de tanto que trabalhei na rua. Conhecia, pois não sei o que seria de mim hoje sem o Waze.
Entenda esses exemplos muito mais como referências, artefatos para nos alertar de um fato claro e concreto: realmente a tecnologia nos ajuda e não é necessário mais ocupamos espaço em nosso cérebro com informações acessíveis em outros meios. Em minha opinião, a questão principal dessa reflexão não é essa. A grande questão é: o que estamos fazendo com o espaço que sobrou?
É aí que mora o perigo.
Por vezes tenho a percepção que estamos desprezando uma oportunidade única que temos para nos aprofundar, nos desenvolver pessoalmente.
Não é mais necessário memorizarmos informações desnecessárias. Deveríamos substituir o processamento desse perfil de dados por conhecimento em mais profundidade.
Como diz Leandro Karmal "o exercício de formação é metódico, longo e penoso".
Em termos de aprendizado, nosso maior desafio é ensinar a pensar e não ensinar um conhecimento que pode ser acessível sem nenhum intermediário em fontes disponíveis facilmente.
Baita desafio para a geração do questionário, como a minha.
O contexto atual valoriza e favorece, sobremaneira, o conhecimento. Porém, não é qualquer tipo de conhecimento.
Se não fizermos a mudança nesse modelo mental desperdiçaremos a oportunidade de maior aprofundamento e senso crítico em detrimento de uma superficialidade latente.
A opção está em suas mãos.
Quer mais pano para a manga? E o futuro do trabalho com a automação de atividades repetitivas, hein? Assunto para outro post